Eu Não Estava Brincando de "Escolinha"

God is my witness! O nervosismo que eu senti no primeiro dia de regência não foi brincadeira e as borboletas no estômago não mentiam. Embora eu tivesse me preparado para esse dia, o meu subconsciente ativou sentimentos de medo, pânico e terror. Nesse momento, meu desejo era de dar meia volta e sumir, pois era um mar de olhos curiosos que me fizeram paralisar por um ligeiro estante. No entanto, o compromisso que assumi é maior que qualquer medo, tomei um gole de água, porque um professor de inglês precisa de muita saliva, ergui a cabeça e segui. 

Figura 1:

  Fonte: High Five Bilingual School

Primeiramente, apresentei-me para a turma 12.01 de maneira rápida, na tentativa de quebrar o gelo, e segui com a regência. O objetivo no primeiro momento foi de orientar na correção da atividade da aula anterior, sobre o Doctor Bug. Eu tinha calculado o tempo da aula em noventa minutos corridos acreditando que seria o suficiente para  a responder a questão com os alunos e iniciar minha regência com outro assunto, ledo engano. 

Com aproximadamente trinta adolescentes curiosos, interessados e participativos, que faziam perguntas sem parar, como por exemplo: o que significa pack? e outras palavras em inglês das quais não lembro, mas também nada tinha a ver com a aula. Respondi tudo, na medida do possível e segui com as correções.

O teor das questões do material era recheado de drills, que é um método de repetição espaçada. Essa clássica abordagem tem o objetivo de fixar vocabulários e assimilar padrões. Logo, os alunos respondiam com pequenas palavras, sem a necessidade de produzir uma escrita ativa em língua inglesa. 

Além disso, os estudantes tiverom que traduzir as sentenças da língua portuguesa para língua inglesa, como estratégia de estudo, então eles tiveram que traduzir e resolver as questões. E, geralmente, as respostas das atividades eram palavras que pertenciam à classe gramatical de verbos. como podemos conferir:

Figura 2:



Fonte: Apostila

Figura 3:
Fonte: Apostila.

Como podemos observar, as duas atividades têm um certo padrão, ambas estão focadas no tempo verbal Simple Present, trabalhando essencialmente com repetições de estruturas gramaticais. Entretanto, o material possui Spelling Rules que funcionam como apoio na hora de responder as atividades, como podemos analisar a seguir:

Figura 4:

A tabela acima também precisou ser traduzida, porque contava como uma tarefa avaliativa e isso foi uma instrução da professora supervisora, para que os pupilos entendessem o presente simples do inglês, contudo, isso foi um exercício a parte. Com as correções continuando, etapa por etapa, os alunos revelaram-se aptos, prontos para responder em voz alta e de forma correta, pois estava tudo na ponta da língua. No entanto, com o desenrolar da aula surgiram algumas dúvidas para os alunos, algo normal na construção de conhecimento. 

Alguns alunos ficaram intrigados porque a palavra study (que termina em -Y) flexionava para studies quando verbo esta na terceira pessoa do singular (He-She-It), mas não seguia a mesma lógica para os verbos pay ou buy (que também terminam em -Y) porque segue outra regra. Por exemplo:
 
He studies ants. 
She buys a car

No ultimo caso, existe uma regrinha diferente, que diz que, se a letra que antecede o -Y, for uma vogal, o correto é acrescentar apenas o sufixo -S. Por exemplo: buy/buys; play/plays; pay/pays. Por sua vez, o verbo study mudou porque a letra que antecede o -Y é a consoante -D. Isso causou mais questionamentos. Por instinto busquei outras classes de palavras para tentar explicar como: boy-boys (sufixo -S); toy=toys (sufixo -S).

E mais perguntas surgiram, "por que helps terminam em -S e não em -ies ou -es?". Nesse momento minha cara foi no chão, mais um medo destravado "e se eu não conseguir responder?". Respondi que existem outras palavras seguem a mesma lógica do verbo help, quando o pronome está na terceira pessoa (He-She-It), por exemplo: work/works; take/takes; put/puts. Além disso, ressaltei que, nesse contexto, isso não é marcador de plural, como não surgiu mais perguntas finalizei a explicação e as correções, com a sensação de dever comprido.

Abaixo está a o exercício que tomou o tempo de aula:
Fonte: Apostila

Devo fazer uma menção honrosa (ao rosa), pois a professora Fernanda estava presente apoiando-me nessa turbulência, enfatizando o que eu já tinha explicado. O mais irônico, foi o fato de todos responderem corretamente o exercício. Apesar do desafio, o sentimento que ficou foi de felicidade porque além da interação com os alunos ter sido maravilhosa, saber que eu sou capaz de dar aula para adolescentes é um vitória pessoal, como uma cosquinha na minha autoestima. Termina

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